segunda-feira, 27 de outubro de 2008



Proibido
Um dia ainda arranjam maneira de nos proibir de passear no Alentejo.
Depois de 34 anos de democracia neste pequeno país a beira-mar plantado, as proibições são mais que muitas, isto não pode dar certo, a maneira como a nossa jovem democracia se desenvolve deixa-me preocupado, triste e incrédulo.
Somos um povo de brandos costumes, que se sujeita a tudo, ensinaram-nos a dizer que sim, quero dizer antes do 25 de Abril, obrigaram-nos a dizer que sim a tudo, a aceitar sem perguntar porquê.
Se desde sempre na Margem esquerda foi possível procurar os produtos de ninguém, aqueles que a natureza nos oferece, porquê todas estas proibições?
Deveríamos sim controlar quem abusa e quem faz negócio com estes produtos, todos sabemos quem são os campeões das cilarcas, mas não denunciamos e deixamos que por culpa de uns, outros estejam obrigados a respeitar estas tabuletas com artigos que ninguém conhece e que pouco significado têm para quem vai apanhar umas cilarcas para o jantar, ou para conviver com amigos na taberna.
Gostaria aqui de deixar um apelo a quem lê estas linhas.
Denunciem quem faz negócio, obriguem esses senhores a respeitar a natureza, a respeitar as outras pessoas, a flora e a fauna da região.
Sei que somos um povo mesquinho e invejoso, muito invejoso mesmo, mas não podemos ser egoístas ao ponto de destruir tudo o que a natureza nos oferece.
Quando falo aos meus filhos da minha infância na margem esquerda, falo de como era linda a paisagem, como era bonito o rio Guadiana, como era interessante o Castelo da Lousa, fico triste de não poder mostrar.
Infelizmente muito da paisagem ficou destruída, para que alguns enriquecessem com o Alqueva, mas os olhos ficaram mais pobres e hoje temos muita água, mas para quê?
Quem se lembra de uma ponte romana, pequena mas estava lá, em frente ao Penedo do Ventoso nas margens do Guadiana?
Hoje temos tabuletas, proibido isto, proibido aquilo, proibido o outro.
Nunca as proibições deram resultados positivos. O fruto proibido é o mais desejado.
Se já só funcionamos com proibições, se temos medo de denunciar quem não cumpre as regras de respeito pela natureza, então que raio de povo é este? Respeitar a natureza, para que as próximas gerações se possam orgulhar do legado que lhes deixamos, deveria ser um objectivo de todos.
Nós preferimos dar as culpas ao governo e aos políticos, mas eles nunca viram o Guadiana como eu vi, não vão fazer nada, nós sim podemos respeitar, preservar e educar.
Tenho muitas saudades do rio Guadiana como ele era.
J.B.

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